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🧠 Ser Product Designer, parte 1.


Um guia de sobrevivência

Esta é a primeira parte de um artigo tri-partido:
É um guia de sobrevivência honesto e direto face aos sentimentos e dúvidas mais comuns no início de uma carreira no design. A cada leitor, espero que encontre as dicas e as palavras necessárias para sobreviver a um começo que sabemos ser tão turbulento.

Fase 0 — Relaxa. Tudo se faz, com calma.

0.1. o primeiro choque

Todos sabemos qual a sensação da página branca, o quão paralisante pode ser… tens um projecto inteiro pela frente, algo que nem tem ainda forma na nossa cabeça, que precisa de estar feito – e bem feito -, e és tu quem tem de o fazer.

0.2. o síndrome do “como é que acham que eu consigo fazer isto”

O choque inicial leva-nos a outra sensação aterradora que poderás sentir — especialmente se as nossas histórias se assemelham e fores uma Junior Designer a co-habitar uma equipa cheia de Principals e Seniors e Managers que muito provavelmente seriam capazes de fazer em 3 semanas o trabalho que tu fazes em 3 meses:

a síndrome do impostor.

Este é o sentimento de que te contrataram ou te escolheram porque achavam que tinhas competências para fazer design, mas tu definitivamente não tens… porque não tens as capacidades técnicas necessárias e decididamente não tens o QI necessário. Sentes-te uma fraude e vives num medo constante de que toda a gente se vá aperceber disso a qualquer momento e que irás ser despedido, ali, naquele exato momento.
Respira. Diz a ti mesmo as vezes que forem precisas que nada disto é verdade. O nosso cérebro tem tendência a auto-sabotar-nos para nos proteger de eventualmente falhar e das angústias que daí poderão emergir. Reunimos todas as memórias que temos de quando nos desacreditaram ou desvalorizaram e usamo-las para o auto-ataque. Porque nada custaria mais do que falhar no percurso de alcançar aquilo a que mais queríamos dedicar-nos profissionalmente, certo?
É por este processo surgir sem que tenhamos muito controle que precisamos de construir uma confiança racional e paradigmática de que somos capazes de fazer aquilo que a que nos propusermos. Só assim conseguimos atingir a melhor versão profissional de nós próprios.

Está tudo certo, eu garanto-te, you can do this.

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0.3. Passo-a-passo

Primeiro: se nunca fizeste um projecto de design de um produto digital, pede ajuda a alguém com mais experiência para ser o teu tutor. É ótimo ter um profissional da área que te possa guiar e aconselhar durante a tua primeira grande aventura.
Se não te podes dar ao luxo (porque eu sei que é um luxo) de ter um mentor, aperta o cinto! Vai ser uma viagem turbulenta mas vais sair desta um super-herói do design digno do teu próprio filme da Marvel!

Segundo: pega num papel e numa caneta e organiza o projecto dividindo-o pelas fases principais e subdivide-as em  tarefas mais pequenas necessárias no âmbito de cada uma. Estas tarefas vão variar de acordo com a complexidade, restrições, requisitos ou natureza de cada projecto. A fórmula perfeita não existe, portanto não tenhas medo de ser criativo.

Terceiro: ultrapassa todos estes medos e auto-sabotagens que se instalaram sem ser convidados colocando questões e discutindo o projecto com colegas ou outras partes intervenientes (=stakeholders). Faz isto pensando menos que estás a dirigir-te às pessoas que te contrataram e que pagam o teu salário e pensando mais que estás a abordar pessoas que já estiveram vezes sem conta na mesma situação em que te encontras e que vão ficar felizes se melhorares as tuas competências de uma maneira proactiva porque quer dizer que toda a equipa/empresa vai beneficiar dessa evolução.

Quarto: uma boa noite de sono, confiança no teu cérebro fantástico & muita água para te hidratar 😉

Para os meus queridos Millennials e Gen Z’s: faz um favor a ti próprio e não sigas esta tendência de passar o dia a beber café. As garrafinhas ecológicas são bem giras e ficam lindas no Instagram mas esta é uma moda pateta, pouco saudável e vai agir contra a tua produtividade. Demasiada cafeína deixa-te ansioso, incapaz de pensar calmamente, diminui a capacidade de reter nova informação, torna-te suavemente bipolar…
… e honestamente, trabalhar em oito coisas diferentes ao mesmo tempo como se fosses um polvo numa trip de ritalina só pode levar a resultados sem qualidade e ninguém quer isso… especialmente tu.

Rita Fontelo de Oliveira


Rita Fontelo de Oliveira

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