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Lançar um produto é a parte sexy do design. Mas manter esse mesmo produto vivo, sem que ele se transforme num “monstro de Frankenstein” de funcionalidades, é onde se vê quem é realmente sénior. Nas últimas sessões do curso de Manutenção de Usabilidade do uiux.pt, o tema não foi o “novo brilhante”, mas sim a higiene do que já existe. E a verdade é esta: se não estás a matar funcionalidades, estás a matar o teu produto.

O Semáforo da Dívida (XD vs. Tech)

Muitas vezes, as equipas estão a “nadar na maionese” (como costumo dizer) porque não sabem distinguir o que é um Defect de uma Dívida de UX.

  • O Defect é o sinal vermelho: o botão não funciona, o utilizador está bloqueado. Resolve-se ontem.
  • A Dívida de UX (XD Debt) é aquele sinal amarelo constante. O produto funciona, mas “morde”. Gera uma fricção silenciosa que, ao fim de seis meses, custa milhares de euros em suporte e desistências.

Não é falta de talento das equipas; é falta de ritual de manutenção. Se o teu Trio (Designer, PO, Engenheiro) não tem 20% do tempo blindado para “limpar o lixo”, a falência técnica é inevitável.

Sunsetting: Jardinar é preciso

Usamos muito a metáfora do jardim nas aulas de 2026. Se não arrancas as ervas daninhas, elas sufocam as flores. No software, as ervas daninhas são as funcionalidades de “baixo uso / baixa satisfação”.

Aplicar a Matriz da Intercom não é apenas um exercício de Figma; é um exercício de coragem política. Dizer a um stakeholder que vamos remover uma funcionalidade que ele adorou em 2022 é difícil, mas é a única forma de garantir que o utilizador não se perde num mar de ruído. Menos é, quase sempre, mais velocidade de evolução.

Do Output ao Outcome (Onde a magia acontece)

Cansamo-nos de entregar “ecrãs” (outputs). O que discutimos intensamente nestas sessões foi a mudança para Outcomes. Quando usas uma Opportunity Solution Tree, deixas de desenhar porque o PO pediu e passas a desenhar porque queres reduzir os tickets de suporte em 30%.

É aqui que o Design deixa de ser “o departamento dos desenhos” e passa a ser o motor da eficiência operacional.

Conclusão (ou melhor, um convite)

Manter a usabilidade não é um projeto com data de fim. É um ritual. É diagnosticar, quantificar e, acima de tudo: ter a disciplina de manter a casa arrumada antes de convidar novos utilizadores para entrar.

Se o teu produto está estável, mas sentes que está a ficar pesado, talvez esteja na hora de olhares para o que podes tirar, em vez de pensares no que vais acrescentar.


Sabe mais sobre o curso de Manutenção de Usabilidade aqui:
https://www.uiux.pt/manutencao-usabilidade/


João Lima

→ UX Design Guru at Critical TechWorks - BMW Group → uiux.pt Founder → UX Teacher

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